terça-feira, 10 de março de 2020

Fechada!

"-Fechada. O duro é que ela é fechada né..."

Não sei... É fechada sim, mas creio que é mais um problema de confiança. Problema sério em confiar em alguém, em saber o real sentido do amor de uma amizade sincera, que nada pede em troca e que, mesmo que acabe, os segredos confiados são sagrados.
Acho, ainda, que além da confiança, rola um sério problema de fidelidade.
Fidelidade ao sentimento.
Extrema razão que sufoca a emoção.
Não está com quem ama, ao contrário,  escolhe não dar ouvidos ao amor que sente e, racionalmente, se relaciona com quem acha que deve estar. Consegue estar com alguém, com o pensamento e o sentimento em outra pessoa. E isso não é apenas medo, isso é escolha.
Mas, a noite,  no escuro do quarto, no silêncio da casa vazia, algo te incomoda. Uma voz, uma saudade, uma curiosidade que insiste em atormentar. Saudade do que viveu, do que sentiu. Será isso e apenas isso? Saudade é excesso de passado e te deixa em confusão sobre o presente.
E, do nada,  um lampejo, a emoção grita alto e a razão não sufoca, apenas tenta justificar. Mas, no fundo, há que se responder a si, e apenas a si. O que é essa saudade? O que foi essa vontade?
Principalmente, como a voz da razão não previu todas as possibilidades, não estudou todos os desdobramentos?
Ah, não não.  Quem dominava era a emoção. A razão estava ocupada em preparar cada detalhe da surpresa que traria um belo sorriso.
Mas, no fundo,  sufoca a emoção, e volta apenas a razão.
Não ama, escolhe "amar"...


Nenhum comentário: